24 de Abril de 2014

Das fotografias encontradas




Durante a missão Apollo16, O astronauta Charles Duke deixou no solo lunar uma fotografia fechada num saco de plástico. No verso escreveu:

"This is the family of Astronaut Duke from Planet Earth. Landed on the moon, April 1972"

(Ontem encontrei mais uma foto num passeio de Lisboa. Há quem se espante por eu encontrar constantemente fotografias... Mas caramba, elas estão em todo o lado... até na Lua as conseguia encontrar!)


23 de Abril de 2014

Moonchild (x2)

 
 
-Why don't you do what you dream, Bastian?
-But I can't, I have to keep my feet on the ground!


 
(Waiting for a smile from a sun child)
 

22 de Abril de 2014

Nem sei dizer o quanto adoro o Bukowski...

 

 
 

{somos escritos a lápis}

Andava fechada na minha concha e por isso tinha já passado uma semana quando soube da morte do Fallorca. Fiquei em choque e  salvo umas palavras dirigidas à Catarina não consegui escrever nada sobre o assunto.
 
Os comentários do Jorge Fallorca foram ao longo de anos presença habitual neste blogue. Para ele, mesmo quando passei a ser uma Ana de carne e osso e metro e oitenta, continuei a chamar-me anita. Trocámos palavras e livros e magoava-me não conseguir deixar aqui uma homenagem.
 
Mas hoje qualquer coisa aconteceu em mim, mais um pedaço de iceberg desmoronou, misturou-se água doce com água salgada e deu-me para chorar muita coisa perdida e outra tanta encontrada.
 
No meio das recordações, a procura de um lápis para escrever um autógrafo (só canetas? mas tu não tens um lápis?) e uma sala de fumo improvisada na soleira de uma porta. Era Lisboa, Rua de S. Filipe Nery, mas semicerrando os olhos quase avistávamos Marrocos.
 
Hoje deu-me para isto. Sei que já passou muito tempo, mas só agora consegui dizer.
 
Adeus Fallorca.

18 de Abril de 2014

{querido diário}


Esta manhã tive o Puccini  por companhia, enquanto aplicava freneticamente folha de ouro numa peça que há muito devia estar pronta.
Terminada a luta, fartinha, exausta, lancei o trabalho para cima do sofá como quem diz “agora vai à tua vida” e a movimentação do ar fez voar bem alto as finíssimas películas  de ouro que estavam  pousadas num prato.
Primeiro praguejei, mas depois comovi-me com o brilho dourado a planar pela sala, dançando o final de Nessum Dorma.

(Estou a trabalhar há meses para esta exposição e nada do que fiz tem sequer um pouco do encanto destes instantes de beleza acidental)

15 de Abril de 2014




"Tirei a renda da nafitalina
Forrei cama, cobri mesa
E fiz uma cortina
Varri a casa com vassoura fina
Armei a rede na varanda
Enfeitada com bonina
Você chegou no amiudar do dia
Eu nunca mais senti tanta alegria
Se eu soubesse soltava foguete
Acendia uma fogueira
E enchia o céu de balão
Nosso amor é tão bonito, tão sincero
Feito festa de São João"
 
 

10 de Abril de 2014

7 de Abril de 2014

smoothie

Um café? Perguntou já virado para a máquina.
Não, para mim é um batido de morfina com serotonina.
Pensei mas não disse. Bebi o café a escaldar, deixei as moedas no balcão e voltei ao trabalho.

5 de Abril de 2014

{anita mamã}

O meu filho
diz
eco
eco
diz
eco é uma palavra gira
eco
e fica a fazer eco
durante 10 minutos

3 de Abril de 2014

Quando começamos a fazer perguntas (fragmentos de Stevenson)

 

 
 
Robert Louis Stevenson
O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde
 
(uma história muito, muito bem contada)
 
 

2 de Abril de 2014

{anita} e o Gato das Botas


Sempre gostei de Ulisses e Sheherazades, de todos esses heróis que fazem uso da astúcia para dobrar o destino, mas de todos, o meu favorito é o Gato das Botas.
Penso no pobre rapaz que viu o moinho e o burro serem distribuídos pelos irmãos e a quem da herança do pai só coube a desolação de um gato.
Valeu-lhe que o gato falava, e falou para lhe pedir umas botas, porque este gato era estranho: não gostava de andar de patas no chão.
 
Agora que escrevi isto, abri o YouTube e revi alguns vídeos de gatos a quem alguém calçou meias.
 
Perrault viveu no séc. XVII e não tinha YouTube. Não sei se alguma vez viu gatos calçados ou se apenas intuiu que um gato que não sente o chão com as patinhas  é um gato imediatamente desconfortável na sua natureza de gato, obrigado a afiar a astúcia porque as garras atrofiaram dentro das botas.
 
O Gato das Botas é um gato absurdo, sim,  mas quando o absurdo  veste com dignidade a sua natureza absurda, passa a saber a magia, e a magia deste gato é o talento para fazer muito a partir de muito pouco.

A sua fragilidade é a sua força.
 
 
O Gato das Botas e o Ogre
Ilustração de Gustave Doré, 1861