22 de Agosto de 2014

Sabedoria Zappiana



 
“If you end up with a boring miserable life because you listened to your mom, your dad, your teacher, your priest, or some guy on television telling you how to do your shit, then you deserve it.”

Frank Zappa

(um autocarro cheio de gente vazia)



Estatísticas


Por cada homem enfurecido há sempre
dois ou três que o acalmam com palmadinhas nas costas,
por cada chorão, muitos mais limpadores de lágrimas,
por cada homem feliz, uma profusão de infelizes
a querer aquecer-se no calor da sua alegria.

E todas as noites pelo menos um homem
não consegue encontrar o caminho de casa
ou a sua casa mudou-se para outro lugar
e ele vagueia pelas ruas,
supérfluo.

Uma vez estava com o meu filho pequeno na estação
e um autocarro vazio passou por nós. O meu filho disse:
“Olha, um autocarro cheio de gente vazia.”

Yehuda Amichai

17 de Agosto de 2014

{querido diário}

O Camaron De La Isla lamenta-se em loop, diz que já não pode aguentar, que não pode viver desta maneira, porque não quer, ainda que Deus queira.
E eu continuo a desenhar e desdenho: junta-te ao clube.
E ele entra pelo desenho adentro e sussurra, olhar torturado que mete medo: junta-te tu ao meu.




I, robot

 
 
esta ilustração é absolutamente ♥

9 de Agosto de 2014

{histórias de amor do caneco} - Elvira Madigan e Sixten Sparre






Elvira conheceu o conde e militar sueco Sixten Sparre durante uma digressão do circo onde era funâmbula.
Mantiveram um intenso romance clandestino durante algum tempo e em 1889 fugiram para a Dinamarca.
Quando a situação se tornou insustentável, fizeram um piquenique no bosque da ilha de Tasinge após o qual Sparre matou Elvira com a arma de serviço, suicidando-se em seguida.
Elvira tinha 21 anos, Sparre 35.

concerto para piano N.21 em C Maior de Mozart ficou popularmente conhecido por Elvira Madigan por fazer parte da banda sonora do filme do realizador sueco Bo Widerberg, que em 1967 se inspirou nesta trágica história de amor.






Nada (um poema da Pagu)

Nothing


Nada nada nada
Nada mais do que nada
Porque vocês querem que exista apenas o nada
Pois existe o só nada
Um pára-brisa partido uma perna quebrada
O nada
Fisionomias massacradas
Tipóias em meus amigos
Portas arrombadas
Abertas para o nada
Um choro de criança
Uma lágrima de mulher à-toa
Que quer dizer nada
Um quarto meio escuro
Com um abajur quebrado
Meninas que dançavam
Que conversavam
Nada
Um copo de conhaque
Um teatro
Um precipício
Talvez o precipício queira dizer nada
Uma carteirinha de travel’s check
Uma partida for two nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Um papagaio falava coisas tão engraçadas
Pastorinhas entraram em meu caminho
Num samba morenamente cadenciado
Abri o meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada.



Patrícia Galvão
publicado n’A Tribuna, Santos/SP, em 23/09/1962
e encontrado aqui

Fragmento (Michelangelo Antonioni)