15 de Abril de 2014




"Tirei a renda da nafitalina
Forrei cama, cobri mesa
E fiz uma cortina
Varri a casa com vassoura fina
Armei a rede na varanda
Enfeitada com bonina
Você chegou no amiudar do dia
Eu nunca mais senti tanta alegria
Se eu soubesse soltava foguete
Acendia uma fogueira
E enchia o céu de balão
Nosso amor é tão bonito, tão sincero
Feito festa de São João"
 
 

10 de Abril de 2014

7 de Abril de 2014

smoothie

Um café? Perguntou já virado para a máquina.
Não, para mim é um batido de morfina com serotonina.
Pensei mas não disse. Bebi o café a escaldar, deixei as moedas no balcão e voltei ao trabalho.

5 de Abril de 2014

{anita mamã}

O meu filho
diz
eco
eco
diz
eco é uma palavra gira
eco
e fica a fazer eco
durante 10 minutos

3 de Abril de 2014

Quando começamos a fazer perguntas (fragmentos de Stevenson)

 

 
 
Robert Louis Stevenson
O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde
 
(uma história muito, muito bem contada)
 
 

2 de Abril de 2014

{anita} e o Gato das Botas


Sempre gostei de Ulisses e Sheherazades, de todos esses heróis que fazem uso da astúcia para dobrar o destino, mas de todos, o meu favorito é o Gato das Botas.
Penso no pobre rapaz que viu o moinho e o burro serem distribuídos pelos irmãos e a quem da herança do pai só coube a desolação de um gato.
Valeu-lhe que o gato falava, e falou para lhe pedir umas botas, porque este gato era estranho: não gostava de andar de patas no chão.
 
Agora que escrevi isto, abri o YouTube e revi alguns vídeos de gatos a quem alguém calçou meias.
 
Perrault viveu no séc. XVII e não tinha YouTube. Não sei se alguma vez viu gatos calçados ou se apenas intuiu que um gato que não sente o chão com as patinhas  é um gato imediatamente desconfortável na sua natureza de gato, obrigado a afiar a astúcia porque as garras atrofiaram dentro das botas.
 
O Gato das Botas é um gato absurdo, sim,  mas quando o absurdo  veste com dignidade a sua natureza absurda, passa a saber a magia, e a magia deste gato é o talento para fazer muito a partir de muito pouco.

A sua fragilidade é a sua força.
 
 
O Gato das Botas e o Ogre
Ilustração de Gustave Doré, 1861
 

31 de Março de 2014

{a banda sonora do dia}

 

 
 
dorme criatura estão à tua espera
à porta da lura tal qual uma fera
ouve o assobio são eles a chamar
o mundo vazio está por saciar
 
acorda criatura é tempo de partir
leva essa criança que sabe sorrir
guarda-a bem em ti para toda a vida
no forro da alma muito bem cosida