12 de agosto de 2015

{anita mamã} - assobiar para o lado

-Que cartas são essas?
-Contas para pagar.
-Então porque é que as tiras da caixa do correio?! Podias deixa-las aí e fazias de conta que não viste!

11 de agosto de 2015

{anita mamã}

Depois de ter espirrado, de ter perguntado "o que é que se diz quando se espirra? é santinho, não é?" e de alguns segundos de silêncio:

-Mãe, quem é que inventou as palavras?

31 de julho de 2015

{querido diário}

Hoje sonhei que estava numa ilha.
Tinham-me dito que aquela ilha era diferente, que se chegasse ao seu limite ia perceber que era ela que envolvia o mar.
No sonho aventurei-me na caminhada e vi que era verdade, que naquele ponto extremo a ilha abraçava o mar.
Nunca tinha visto azul mais profundo.

13 de julho de 2015

{anita mamã} estudos bíblicos

O miúdo perguntou-me o que era a Bíblia e eu pensei: esta é das difíceis.
Então expliquei-lhe que a Bíblia é um livro que para algumas pessoas é sagrado e que conta toda a história do mundo desde a criação do universo. E falei de Adão e de Eva e de como a Bíblia foi escrita há tanto tempo que as pessoas ainda não sabiam que o homem tinha evoluído a partir do macaco (sou testemunha de Darwin, lembram-se?).
Achei que até me estava a sair bem nas explicações, até que:
-O quê? Deus só fez um homem e uma mulher?
-Sim, mas eles tiveram muitos filhos...
-Mas como é que eles faziam os filhos?
Onde é que a conversa virou para este rumo? Senti-me fraquejar, já tinha gasto todas as minhas pilhas com a história da bíblia. Ainda tentei:
-Mas não preferes que continue a contar a história da Bíblia? (a minha santa ingenuidade...)
-Não. Quero que me digas onde estava a sementinha e como é que o Anão e a Neva faziam os bebés.
 
(E agora? Alguém me indica um versículo que responda às inquietações do meu filho? )

6 de julho de 2015

Fragmento (de Tonino Guerra)

Tenho a impressão que o consumismo nos conduz a grandes perdas, ao mesmo tempo que nos sufoca de objetos. Para mim, refugiar-me no passado significa reencontrar os prazeres da pobreza. A pobreza ajuda à fantasia. Na pobreza vive-se sob uma chuva de desejos suspensos.
 

29 de junho de 2015

Sem título

A poesia, é sempre bom lembrar, começou por ser uma especialidade da magia. Magos declamavam os seus versos para convocar espíritos, acordar remotas forças, criar acontecimentos através do verbo.

daqui