31 de julho de 2015

{querido diário}

Hoje sonhei que estava numa ilha.
Tinham-me dito que aquela ilha era diferente, que se chegasse ao seu limite ia perceber que era ela que envolvia o mar.
No sonho aventurei-me na caminhada e vi que era verdade, que naquele ponto extremo a ilha abraçava o mar.
Nunca tinha visto azul mais profundo.

13 de julho de 2015

{anita mamã} estudos bíblicos

O miúdo perguntou-me o que era a Bíblia e eu pensei: esta é das difíceis.
Então expliquei-lhe que a Bíblia é um livro que para algumas pessoas é sagrado e que conta toda a história do mundo desde a criação do universo. E falei de Adão e de Eva e de como a Bíblia foi escrita há tanto tempo que as pessoas ainda não sabiam que o homem tinha evoluído a partir do macaco (sou testemunha de Darwin, lembram-se?).
Achei que até me estava a sair bem nas explicações, até que:
-O quê? Deus só fez um homem e uma mulher?
-Sim, mas eles tiveram muitos filhos...
-Mas como é que eles faziam os filhos?
Onde é que a conversa virou para este rumo? Senti-me fraquejar, já tinha gasto todas as minhas pilhas com a história da bíblia. Ainda tentei:
-Mas não preferes que continue a contar a história da Bíblia? (a minha santa ingenuidade...)
-Não. Quero que me digas onde estava a sementinha e como é que o Anão e a Neva faziam os bebés.
 
(E agora? Alguém me indica um versículo que responda às inquietações do meu filho? )

6 de julho de 2015

Fragmento (de Tonino Guerra)

Tenho a impressão que o consumismo nos conduz a grandes perdas, ao mesmo tempo que nos sufoca de objetos. Para mim, refugiar-me no passado significa reencontrar os prazeres da pobreza. A pobreza ajuda à fantasia. Na pobreza vive-se sob uma chuva de desejos suspensos.
 

23 de junho de 2015

{bom dia coraçõezinhos de robot}

Na festa de final de ano da escola do meu filho os alunos do 4º ano apresentaram uma curta metragem de animação criada por eles.
O tom era de ficção cientifica e a certa altura dizia-se que no futuro, os anjos, os robots e os aliens seriam todos amigos.
Sorri. Também imagino o futuro assim.

Desabafo (das lágrimas)


Ela lavou-lhe os pés com as suas lágrimas e secou-os com os seus cabelos  (Lucas 7-38)
 
Uma frase tão simples e com tanto potencial erótico.
Adorava ter sido eu a escrever isto... 

lacrimatorius

 
There is a sacredness in tears. They are not a mark of weakness but of power. They speak more eloquently than ten thousand tongues. They are the messengers of overwhelming grief, of deep contrition, of unspeakable love.
Washington Irving
 
 
 
 
Na Roma antiga, as lágrimas das carpideiras eram recolhidas em frascos e enterradas junto dos mortos.

 
No período vitoriano os enlutados recolhiam as suas lágrimas em garrafas com rolhas que permitiam que estas fossem evaporando. Quando já não houvesse lágrimas na garrafa, era sinal que o período de luto tinha acabado.

 
Durante a Guerra Civil Americana, os soldados deixaram frequentemente às suas esposas uma garrafa ornamentada na qual elas podiam armazenar as suas lágrimas. Se o homem sobrevivesse à batalha, a humidade armazenada era um indicador de devoção e amor de sua esposa. Se morresse, a garrafa seria colocada num lugar de honra.

19 de junho de 2015