29 de Setembro de 2014

{a banda sonora do dia}




(my brain thinks bomb-like)

Das ruínas


Carel Willink; Trafalgar Square; 1973

Passei uma grande parte da infância dentro desta pintura.
Depois da morte dos meus avós, o meu pai perguntou-me se havia alguma coisa naquela casa que quisesse para mim.
-Quero o quadro das ruínas.
-Mas é apenas uma reprodução...
-Quero só o quadro das ruínas.

(é que precisava de passar mais uns anos dentro dele, à procura não sei de quê)

27 de Setembro de 2014

Já é tradição

Voltei a esquecer-me de festejar o aniversário do blogue. Definitivamente não sou uma boa guardiã do tempo.
Com lembrança ou sem lembrança, não deixaram de passar 6 anos no dia do equinócio.
6 anos! Viva, já tenho idade para aprender a escrever!

26 de Setembro de 2014

{querido diário}

Esta gente está toda a tirar fotografias em vez de apreciar! Que raio de sociedade em que se vive através das fotografias...
Disse a rapariga.
E depois tirou uma selfie.

25 de Setembro de 2014

{querido diário}



Retrato da artista depois de uma manhã a pintar com spray fotoluminescente.
(ver se para a próxima não me esqueço de usar luvas de látex...)


23 de Setembro de 2014

Da comida e da literatura

E ao jantar devoramos livros ou cozinhamos qualquer coisinha?

Do olhar melancólico

"Robert Burton, en su Anatomia de la melancolía, declaraba que la mirada melancolíca es aquella que deriva de ver la vida como una representacíon. Mirar y entender que la vida es una representación teatral implica una mirada melancólica y desenganada que descubre el engano que rodea todo lo mundano. Aquel que descubre com su mirada que el mundo es una representación tiene la mirada del melancólico, es un melancólico"
 
Luis Vives-Ferrándiz Sánchez; VANITAS - Retórica Visual de La Mirada, p. 224
 
 
(maravilhosas tardes de chuva em que me abrigo na biblioteca)

e quando estou acordada aproveito para sonhar

 

22 de Setembro de 2014

{anita mamã}

-sabes a trovoada?
-sei.
-sabes aquelas luzes que fazem tudo branco, os relâmpagos?
-sei.
-hoje no recreio vi um relâmpago e sem querer toquei-lhe.
-a sério?!
-mas não te preocupes, tirei logo o dedo.

19 de Setembro de 2014

Do Uno (fragmento de Oscar Wilde)

Aquilo que o artista procura constantemente é aquele modo de existência no qual a alma e o corpo são um e indivisíveis, no qual o exterior exprime o interior, no qual a Forma se revela.
(...)
A Verdade na Arte não é uma correspondência entre a ideia essencial e a existência acidental; não é uma semelhança de forma e sombra, ou da forma espelhada no cristal à própria forma; não é um Eco que vem de um campo vazio, tal como não é o poço de água prateada existente no vale que mostra a Lua à Lua e Narciso a Narciso. A Verdade na Arte é a unidade da coisa consigo própria: o exterior tornado expressivo do interior: a alma incarnada: a união do corpo com o espírito.

[De Profundis]

17 de Setembro de 2014

Do Individualismo (fragmento de Oscar Wilde) - 2

E, acima de tudo, Cristo foi o mais supremo dos Individualistas. A humildade, como a aceitação artística de todas as experiências, é apenas um modo de manifestação. É da alma do homem que Cristo está sempre à procura. Chama-lhe "Reino de Deus" e encontra-o em todos. Compara-o com pequenas coisas, com uma sementezinha, com uma mão cheia de levedura, com uma pérola.
Isto acontece porque nós só compreendemos a nossa alma quando nos livramos de todas as paixões alheias, de toda a cultura adquirida, e de todas as possessões externas, sejam elas boas ou más.
(...)
Quando entramos em contacto com a alma, isso torna-nos simples como crianças, como Cristo disse que deveríamos ser.
É trágico que tão poucas pessoas alguma vez "possuam as suas almas" antes de morrerem. (...) A maioria das pessoas são as outras pessoas. Os seus pensamentos são opiniões das outras pessoas, a sua vida uma imitação, as suas paixões uma citação.
 
[De Profundis]

Do Individualismo (fragmento de Oscar Wilde) - 1

Estou muito mais individualista do que alguma vez fui. Nada me parece ter o mais pequeno valor, excepto aquilo que retiramos de dentro de nós. A minha natureza procura um novo modo de auto-realização.
 
[De Profundis]